O dia 07 de abril marca o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola — uma data que não deve passar despercebida.
Mais do que uma lembrança no calendário, este dia é um convite à reflexão:
quantos estudantes, neste exato momento, estão sofrendo em silêncio dentro das salas de aula?
Risos, apelidos, empurrões, comentários maldosos…
O que muitos ainda insistem em chamar de “brincadeira” pode, na verdade, estar causando dor profunda e duradoura.
É sobre essa realidade que precisamos falar.
O que é bullying?
O bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, praticadas por um ou mais indivíduos contra alguém em situação de vulnerabilidade.
Essas ações acontecem dentro de uma relação desigual de poder, onde a vítima encontra dificuldade para se defender.
O resultado? Sofrimento emocional, exclusão social e, muitas vezes, marcas que acompanham a pessoa por toda a vida.
Principais formas de bullying
O bullying pode se manifestar de diversas maneiras — algumas visíveis, outras silenciosas:
- Insultos e humilhações constantes;
- Apelidos pejorativos e comentários ofensivos;
- Agressões físicas;
- Danos a objetos pessoais;
- Espalhar boatos ou mentiras;
- Chantagens e ameaças;
- Ataques à aparência, à família, à religião, à condição social ou à identidade.
Muitas dessas práticas são naturalizadas no ambiente escolar — e é justamente isso que as torna ainda mais perigosas.
O alcance do poblema
O bullying não é um problema isolado — ele é global.
Segundo a UNESCO, cerca de um em cada três estudantes no mundo já sofreu algum tipo de bullying.
No Brasil, os dados mais recentes do IBGE, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam um cenário alarmante entre jovens de 13 a 17 anos:
- 39,8% dos estudantes sofreram bullying na escola;
- Entre as meninas, o índice sobe para 43,3%, contra 37,3% entre os meninos;
- 13,7% admitiram ter praticado bullying;
- 16,6% já foram fisicamente agredidos por colegas;
- 30,1% das meninas relataram humilhações repetidas.
Esses números mostram que o bullying não é exceção — é uma realidade presente no cotidiano escolar brasileiro.

As principais motivações do bullying
A pesquisa também revela um aspecto importante: o bullying, muitas vezes, está ligado à aparência — mas nem sempre tem uma justificativa clara.
Entre os principais alvos relatados pelos estudantes:
- Aparência do rosto ou do cabelo: 30,2% dos casos;
- Aparência do corpo: 24,7%;
- Cor ou raça: 10,6%.
Um dado que chama atenção é que 26,3% dos estudantes afirmaram não saber o motivo das agressões.
Isso reforça uma característica central do bullying: ele nem sempre precisa de uma razão concreta para existir. Muitas vezes, nasce da intolerância, da necessidade de afirmação de poder ou simplesmente da repetição de comportamentos dentro de um grupo.
Consequências do bullying para as vítimas…
As crianças que sofrem Bullying, dependendo de suas características individuais e de suas relações com os meios em que vivem, em especial as famílias, poderão não superar, parcial ou totalmente, os traumas sofridos na escola.
Poderão crescer com sentimentos negativos, especialmente com baixa autoestima, tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento. Poderão assumir, também, um comportamento agressivo.
Mais tarde poderão vir a sofrer ou a praticar o Bullying no trabalho (o chamado Workplace Bullying), e em casos extremos, alguns deles poderão vir a tentar contra a própria vida.
… e para os autores
Aqueles que praticam Bullying contra seus colega poderão levar para a vida adulta o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas no seio familiar (violência doméstica) ou no ambiente de trabalho.
Estudos realizados em diversos países já sinalizam para a possibilidade de que autores de Bullying na época da escola venham a se envolver, mais tarde, em atos de delinquência ou criminosos.
Como o estudante deve agir ao enfrentar o bullying
- Falar é o Primeiro Passo: Não guarde para si. Fale com alguém de confiança, seja um professor, um coordenador, um amigo ou um familiar. É fundamental que a vítima de Bullying sinta-se apoiada.
- Registre os Incidentes: Mantenha um registro das ocasiões em que o Bullying ocorreu, incluindo datas, horários, descrição dos fatos e possíveis testemunhas. Isso pode ser útil para a escola ou outras autoridades tomarem as medidas necessárias.
- Conheça seus Direitos: É importante que estudantes e pais estejam cientes dos direitos que possuem de acordo com as leis e normas escolares contra o Bullying. Com a promulgação da Lei 14.811, em janeiro de 2024, casos de Bullying e Cyberbullying são passíveis de penas de reclusão e multa em casos mais sérios. Não hesite em demandar que tais regulamentos sejam cumpridos.
- Busque Ajuda Profissional: O impacto psicológico do bullying pode ser profundo. Caso você seja uma vítima, em sua escola, fale com seus pais para buscar o suporte de um psicólogo ou outro profissional de saúde mental que possa oferecer um apoio emocional.
Uma reflexão necessária
O bullying não é brincadeira. Não é “coisa de criança”. E, definitivamente, não deve ser ignorado.
O bullying não é apenas um problema da escola.
É um reflexo da forma como lidamos com as diferenças.
Cada palavra dita, cada riso maldoso e cada gesto de desprezo pode marcar profundamente alguém que já se sente fragilizado.
Combater o bullying começa com atitudes simples: respeito, empatia e consciência. Afinal, a escola deve ser um lugar de aprendizado, crescimento e segurança — nunca de medo.
E talvez a pergunta mais importante seja:
Que tipo de pessoa você escolhe ser — aquela que fere ou aquela que acolhe?
Fontes:
www.gov.br/mec
www.agenciabrasil.ebc.com.br
Crédito das imagens:
(01) www.freepik.com
(02) www.pexels.com
Compartilhe este post:

Deixe uma resposta