Você sabia que o câncer em crianças e adolescentes não é igual ao dos adultos?
Enquanto nos mais velhos a doença muitas vezes está ligada ao estilo de vida (como fumar ou ter uma vida sedentária), nos jovens ela é geralmente causada por alterações no DNA que ocorrem antes mesmo do nascimento ou nos primeiros anos de vida.
Por isso, a prevenção no sentido tradicional é difícil, e a melhor arma que temos chama-se Diagnóstico Precoce.
O Brasil Se Une Contra o Câncer Infanto-Juvenil
Instituída pela Lei nº 11.650/2008, a data foi criada para mobilizar a sociedade, profissionais de saúde e escolas a promoverem a conscientização, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado das crianças e adolescentes com câncer.
O Que é o Câncer?
O câncer acontece quando algumas células do corpo passam por alterações em seu material genético, deixando de funcionar como deveriam. Essas células modificadas começam a se multiplicar sem controle, formando tumores e interferindo no funcionamento normal do organismo.
Entre crianças e adolescentes, os tipos mais frequentes são as leucemias, que atingem a medula óssea; os linfomas, que afetam o sistema linfático; e os tumores do sistema nervoso central, que acometem o cérebro e outras estruturas relacionadas.
Além desses, também podem surgir outros tipos de câncer na infância, como o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico), o tumor de Wilms (que atinge os rins), o retinoblastoma (que afeta a retina), os tumores germinativos (relacionados às células que formam ovários e testículos), o osteossarcoma (nos ossos) e os sarcomas, que comprometem tecidos moles do corpo.
Números no Brasil e no Mundo — Um Panorama Atual
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou que, para cada ano do triênio 2023–2025, haja cerca de 7.930 novos casos de câncer em crianças e adolescentes (0–19 anos) — aproximadamente 4.230 em meninos e 3.700 em meninas.
Esses números mostram que o câncer pediátrico, embora raro comparado ao de adultos, representa um desafio importante para políticas de saúde pública.
Globalmente, estudos recentes estimaram que ocorreram cerca de 211.080 novos casos e 78.441 mortes por câncer entre crianças só em 2022, com leucemias que é o tipo mais comum. Não dispomos de números mais recentes.
Essas estatísticas destacam a necessidade de atenção mundial à detecção precoce e ao acesso a tratamentos eficazes.
Quais São os Tipos Mais Comuns e Como se Comportam?
- Leucemias (especialmente a leucemia linfoblástica aguda) — a forma mais frequente na infância.
- Tumores do sistema nervoso central — incluem diferentes tipos de neoplasias cerebrais.
- Linfomas — comprometem o sistema linfático.
Sinais de Alerta: Quando Procurar Atendimento
Alguns sinais merecem atenção — mesmo não significando necessariamente câncer, exigem investigação médica.
Entre eles estão: febre persistente sem causa aparente, palidez incomum, cansaço excessivo, perda de peso sem explicação, além de dores ósseas que não passam e inchaços ou nódulos que não desaparecem com o tempo.
Outros sintomas que também precisam ser observados incluem sangramentos ou manchas roxas sem motivo, dor de cabeça intensa e frequente, e vômitos recorrentes, especialmente quando surgem pela manhã ou acompanham alterações de comportamento.
Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é buscar avaliação médica o quanto antes, segundo especialistas da Organização Mundial da Saúde.

Diagnóstico Precoce e Acesso ao Tratamento: Fator Decisivo
A chance de cura no câncer infantil está diretamente ligada ao diagnóstico precoce e ao acesso a tratamentos adequados (quimioterapia, cirurgia, radioterapia quando indicada e cuidados de suporte).
Em países desenvolvidos (como os EUA), as taxas de cura ultrapassam 80% em alguns tipos;. No Brasil, a média gira em torno de 64%. Em países subdesenvolvidos, a média de sobrevivência, infelizmente, é muito menor — por isso iniciativas internacionais buscam reduzir essas desigualdades.
Iniciativas Globais e Metas: O Que Vem Sendo Feito
A Iniciativa Global da OMS para o Câncer Infantil tem a meta de elevar a sobrevida global para pelo menos 60% até 2030, com foco em diagnóstico precoce, capacitação de profissionais, padronização de protocolos e fortalecimento dos sistemas de saúde.
No Brasil, programas de referência e redes de atenção integral têm um papel fundamental para que nossos índices estejam melhorando significadamente.
Sobreviventes: A Vida Após o Tratamento
Há um aumento considerável no número de crianças que vencem o câncer, mas elas podem enfrentar efeitos tardios — problemas cardíacos, dificuldades de crescimento, alterações hormonais, infertilidade, desafios emocionais e de aprendizagem.
Por isso, é essencial criar planos de acompanhamento a longo prazo (cuidados de sobrevivência), envolvendo família, escola e serviços de saúde.
O Papel da Escola, dos Colegas e da Família
A escola tem um papel muito importante no apoio à criança que está em tratamento ou que já venceu o câncer. Ela pode ajudar oferecendo flexibilidade nas atividades, apoio de professores e psicopedagogos, além de trabalhar para evitar qualquer tipo de preconceito.
A convivência com os colegas e a participação em tarefas escolares, dentro do possível, fortalecem a autoestima e fazem a criança se sentir parte do grupo.
A família também precisa de atenção e orientação. Pais e responsáveis devem sempre buscar informações claras, saber onde encontrar redes de apoio e conhecer seus direitos, como o acompanhamento escolar e alguns benefícios que podem ajudar durante o tratamento.
Quando escola e família caminham juntas, o cuidado fica mais completo e acolhedor.
A Esperança Que Nasce da Solidariedade
Cada vida tocada, cada gesto de apoio e cada informação compartilhada podem mudar destinos.
Que este 23 de novembro nos lembre de olhar com mais atenção, agir com mais solidariedade e acreditar que o conhecimento salva vidas.
Quando toda a comunidade — escola, família e sociedade — se une, o futuro dessas crianças se enche de novas cores, novos sonhos e novas possibilidades. Que sejamos sempre parte dessa luz que guia e fortalece.
Fontes: www.gov.br/inca/pt-br / www.bvsms.saude.gov.br / www.oncoguia.com.br / www.unesc.net
Crédito das imagens: (01) www.freepik.com / (02) www.unesc.net
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