Neste 25 de novembro, o mundo se tinge de vermelho para marcar o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. A data, instituída pela ONU em 1999, nunca foi tão urgente.
Por Que o Dia 25 de Novembro Importa
A data surgiu em decorrência do Dia Latino-americano de Não Violência Contra a Mulher, que foi criada durante o Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia.
O 25 de novembro foi escolhido em homenagem às irmãs Patria, María Teresa e Minerva Maribal, que foram violentamente torturadas e assassinadas nesta mesma data, em 1960, a mando do ditador da República Dominicana Rafael Trujillo.
A Face Oculta da Violência
Enquanto discursos corporativos e governamentais celebram avanços, os números frios dos relatórios de 2024 e 2025 contam uma história diferente: a de uma guerra não declarada que ocorre, em sua maioria, entre quatro paredes.
A Dimensão Global: Uma Crise Persistente
Cinquenta mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em 2024 – uma a cada 10 minutos.
Os dados fazem parte do Feminicide Brief 2025, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e da ONU Mulheres, nesta terça-feira (25) e confirma que o feminicídio continua tirando a vida de dezenas de milhares de mulheres e meninas em todo o mundo, sem sinais de progresso real.
O Cenário Brasileiro: Recordes que Envergonham
Segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025), o Brasil vive um momento crítico. O país registrou 1.492 feminicídios no último ano — o maior número desde que a lei foi tipificada em 2015.
Isso significa que, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres.
Mais alarmante ainda é o perfil dessas mortes:
- 64% das vítimas foram mortas dentro de casa.
- 8 em cada 10 foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros.
- A violência racial é evidente: 64% das vítimas são mulheres negras, evidenciando como o racismo estrutural potencializa a vulnerabilidade.
A Infância Roubada: A Violência Sexual
Talvez o dado mais doloroso do relatório de 2025 seja o referente à violência sexual. O Brasil atingiu a marca histórica de 87.545 registros de estupro e estupro de vulnerável.
A análise detalhada desses números revela uma tragédia geracional:
- 77% das vítimas tinham menos de 14 anos.
- A maior parte desses crimes (66%) ocorre dentro da residência e é praticado por familiares ou conhecidos.
Estamos falhando em proteger nossas meninas nos locais onde elas deveriam estar mais seguras.
A escola, a comunidade e o Estado precisam criar, em regime de urgência urgentíssima, redes de proteção que detectem sinais de abuso antes que eles se tornem estatísticas anuais.
Formas de Violência (Nem Sempre Visíveis)
A violência contra mulheres assume muitas faces: violência física, sexual, patrimonial, moral e obstétrica, são alguns que podemos citar.
Estudos mostram que grande parte das vítimas não denuncia por medo, dependência econômica, vergonha ou descrença na efetividade das instituições — fatores que ampliam a impunidade e o ciclo de violência.
Novas Formas de Violência: O Perigo Digital e Psicológico
A violência contra a mulher é camaleônica e se adapta aos novos tempos.
O crime de stalking (perseguição) teve um aumento explosivo de 18%, com mais de 95 mil casos registrados.
A violência psicológica, muitas vezes a precursora da agressão física, também cresceu, mostrando que o controle e a intimidação também são ferramentas poderosas usadas pelos agressores.
Além disso, a OMS alerta que globalmente 840 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual.
É uma verdadeira pandemia global que não respeita fronteiras, mas que pune mais severamente as mulheres em contextos de guerra e crises humanitárias.
O Impacto nas Futuras Gerações
A violência doméstica não vitimiza apenas a mulher; ela destrói o tecido familiar. Dados indicam que em 70% dos casos de agressão, havia crianças presentes no ambiente.
Quase 2 milhões de crianças e adolescentes testemunharam suas mães serem agredidas.
O trauma gerado nessas “testemunhas silenciosas” perpetua o ciclo da violência: meninos que veem agressão têm maior probabilidade de se tornarem agressores, e meninas, de se tornarem vítimas.
A data surgiu em decorrência do Dia Latino-americano de Não Violência Contra a Mulher, que foi criada durante o Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia.
Não Tem Desculpa!
O tema da ONU para este ano, alinhado à campanha “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres”, reforça que a falta de verba ou de prioridade política não é mais aceitável.
O movimento #NãoTemDesculpa nos lembra que a violência é evitável.
Um Futuro Livre de Medo é Possível
Apesar da dureza dos números, o destino de milhões de mulheres não está escrito em pedra, mas nas nossas escolhas diárias enquanto sociedade.
A erradicação da violência é uma meta alcançável e começa quando decidimos, coletivamente, que o respeito e a dignidade são inegociáveis.
Imagine um mundo onde a casa seja sinônimo exclusivo de abrigo, onde caminhar nas ruas não seja um ato de extrema coragem e onde nossas meninas cresçam ouvindo que podem ser tudo, exceto vítimas.
Nós somos a geração capaz de romper ciclos seculares e transformar o luto em luta. Juntos, podemos construir um futuro onde a liberdade feminina não seja uma exceção, mas a regra absoluta de uma humanidade curada.
Fontes: www.brasil.un.org/pt-br / www.publicacoes.forumseguranca.org.br
Crédito da imagem: www.cm-seixal.pt (Reprodução)
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