Na manhã do dia 28 de fevereiro de 2026, no coração de Minab, uma cidade pacata na província de Hormozgan, no sul do Irã, uma cena que deveria ser de alegria e aprendizado transformou-se em um desespero sem fim.
Dezenas de meninas estudantes entraram no colégio primário Shajareh Tayyebeh, carregando mochilas, sonhos e planos — mas não saíram de lá vivas.
Sonhos obliterados sob o peso de um míssil
Não eram soldados.
Não carregavam armas.
Não conheciam estratégias militares, tratados internacionais ou mapas geopolíticos.
Carregavam mochilas, com lápis, cadernos e livros.
Naquela manhã em Minab, o céu não avisou que desabaria. O sol nasceu como nasce todos os dias: indiferente aos discursos inflamados, às salas de comando, às decisões tomadas por homens que jamais pisaram naquele pátio escolar.
Dentro da escola, havia meninas.
Meninas que reclamavam da lição de casa.
Meninas que sonhavam ser médicas, professoras, cientistas.
Meninas que ainda estavam aprendendo a conjugar verbos no futuro — um futuro que não chegou.
Então veio o estrondo.
E, com ele, o colapso de algo maior do que concreto: o colapso de possibilidades.
Livros se transformaram em poeira.
Cadernos viraram fragmentos.
Lápis foram partidos antes que pudessem escrever destinos.
A guerra, essa coisa absurda que os poderosos iniciam com frieza estratégica, materializou-se ali como uma força brutal e cega.
Não escolheu ideologia. Não distinguiu bandeiras. Não perguntou idade.
Apenas atingiu.

Depois, como sempre, vêm a expressão técnica, quase clínica:
“DANO COLATERAL.”
Que palavra tão… fria, para algo tão doloroso.
Dano colateral não chora.
Dano colateral não tem nome.
Dano colateral não tem mãe esperando na porta da escola.
Mas aquelas meninas tinham.
Tinham mães que separaram seus uniformes.
Tinham pais que prometeram buscá-las ao fim da aula.
Tinham irmãos menores que as viam como exemplo.
Tinham sonhos que ainda não sabiam que eram frágeis diante da arrogância humana.
A guerra tem essa perversidade: ela transforma crianças em estatísticas e estatísticas em justificativas.
Os responsáveis debatem “erros de alvo”.
Falam em “operações estratégicas”.
Calculam “impactos necessários”.
Mas não há cálculo capaz de medir o peso de uma mochila abandonada sob escombros.
Não há estratégia que explique uma pequena mão imóvel emergindo do concreto quebrado.
Não há justificativa geopolítica que devolva o riso que ecoava naquele corredor minutos antes.
A guerra promete segurança e entrega orfandade.
Promete defesa e produz funerais.
Promete ordem e espalha caos.
E sempre, sempre, alguém dirá que era inevitável.
Mas inevitável para quem?
Para as meninas que estavam aprendendo matemática?
Para as que desenhavam flores nas margens do caderno?
Para as que ainda soletravam palavras grandes demais para sua idade?
Elas não escolheram lados.
Elas escolheram estudar.
E ainda assim pagaram o preço máximo de um conflito que não compreendiam.
Quando uma escola vira alvo — por erro ou intenção — algo muito maior que um prédio desmorona. Desmorona a ideia de que existem espaços sagrados. Desmorona a noção de que a infância é intocável. Desmorona a esperança de que haja limites para a brutalidade humana.
Porque, quando até uma sala de aula pode virar campo de batalha, o que resta protegido?
Quantas vezes mais repetiremos essa cena em diferentes cidades, diferentes idiomas, diferentes bandeiras?
Quantas mochilas precisarão ser recolhidas entre escombros?
Quantos cadernos manchados de sangue precisarão ser exibidos como prova do absurdo?
Quantas mães precisarão reconhecer filhas pelo uniforme e não pelo sorriso?
Dizem que a guerra é complexa.
Que envolve interesses profundos.
Que exige decisões difíceis.
Mas a morte de crianças não é complexa.
É simples.
É brutal.
É injustificável.
Cada menina perdida ali não era “efeito colateral”.
Era universo inteiro.
Era promessa.
Era futuro em construção.
E agora é silêncio.
Silêncio nos corredores.
Silêncio nas carteiras vazias.
Silêncio nas casas onde o quarto permanece arrumado, esperando alguém que não voltará.
A guerra continuará sendo discutida em mesas elegantes, em salas climatizadas, em discursos televisionados. Mas, longe dali, mães continuarão segurando fotografias.
E o mundo seguirá tentando explicar o inexplicável.
Até quando?
Quantas crianças mais terão que morrer até que esses governantes enlouquecidos se conscientizem de que a guerra só traz morte e destruição?
Quantos sonhos ainda terão que ser desfeitos — de crianças que estavam apenas buscando conhecimento, apenas tentando construir um futuro promissor para suas vidas?
Se a humanidade ainda tiver resposta, que responda agora.
Porque respostas tardias jamais ressuscitam futuros interrompidos.
Fonte:
www.cnnbrasil.com.br (base para o artigo)
Crédito das imagens:
(01) www.chatgpt.com/dall-e
(02) www.mehrnews.com
Crédito do vídeo:
www.youtube.com/@renascencavmais
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