Após anos de convivência com o SARS-CoV-2, o mundo entra em uma nova etapa: a vigilância constante.
A subvariante BA.3.2, apelidada de Cicada, surge como mais um capítulo da evolução do vírus — e reforça uma lição já conhecida: a pandemia pode até ter desacelerado, mas não terminou.
Identificada pela primeira vez em novembro de 2024, na África, a Cicada passou meses “silenciosa”, até começar a se espalhar com mais intensidade entre o fim de 2025 e o início de 2026.
O que é a variante Cicada?
A Cicada é uma subvariante da Ômicron, linhagem dominante desde 2021. O nome, que em português significa cigarra, faz referência ao inseto que passa anos escondido antes de emergir em grande número — uma analogia ao comportamento do vírus.
Hoje, ela já foi identificada em mais de 20 países, com forte presença nos Estados Unidos e crescimento monitorado em outras regiões.
O que torna a variante Cicada diferente?
O que mais chama a atenção dos cientistas na variante Cicada é a grande quantidade de mudanças que ela apresenta.
Mas o que isso significa, na prática?
Imagine o vírus como uma bolinha cheia de “espinhos” ao redor. Esses espinhos são chamados de proteína spike — e são justamente a parte que o vírus usa para entrar nas células do nosso corpo.
É como se fosse uma “chave” que abre a porta das células.
No caso da variante Cicada, essa “chave” sofreu muitas alterações:
- São cerca de 70 a 75 mudanças nesses espinhos
- Essas mudanças podem modificar o formato da chave
- E isso pode ajudar o vírus a enganar melhor as defesas do corpo
Além disso, essa mesma parte do vírus é o principal alvo das vacinas.
Ou seja: as vacinas “ensinam” o corpo a reconhecer justamente esses espinhos.
Quando eles mudam muito, o vírus pode infectar mais facilmente pessoas vacinadas ou previamente infectadas — embora isso não signifique maior gravidade.

A Cicada é mais grave do que outras variantes da Covid?
As informações disponíveis até o momento não indicam que a BA.3.2 provoque uma forma mais perigosa de Covid-19 do que outras cepas já conhecidas anteriormente.
Então por que ela preocupa?
Mesmo sem maior gravidade, a Cicada preocupa por três motivos principais:
- Alta transmissibilidade
Mais mutações = maior capacidade de espalhamento. - Possível redução da proteção contra infecção
Vacinas podem ter menor eficácia contra contágio (mas não contra casos graves). - Risco de novas ondas
Se se tornar dominante, pode causar um grande aumento de casos.
Sintomas: o que observar?
Os sintomas são praticamente os mesmos das variantes anteriores:
- Febre
- Tosse
- Dor de garganta
- Congestão nasal
- Fadiga
- Dor de cabeça
- Dores no corpo
- Falta de ar (em casos mais graves)
Vacinas ainda funcionam?
Sim — e continuam sendo fundamentais.
Mesmo com possível redução na proteção contra infecção, os dados indicam que as vacinas:
- Protegem contra casos graves
- Reduzem hospitalizações
- Evitam mortes
A OMS (Organização Mundial da Saúde) e especialistas reforçam que a vacinação segue sendo a principal estratégia de controle.
A variante já chegou ao Brasil?
Até o momento, os boletins de saúde oficiais não registram a presença dessa subvariante em território nacional. Contudo, especialistas em saúde pública acreditam que sua chegada seja iminente.
Isso se deve ao fato de a linhagem se espalhar muito rápido globalmente, o que, historicamente, facilita sua entrada em novos países em um curto espaço de tempo.
O que a Cicada nos ensina
A chegada da variante Cicada não representa um motivo para pânico, mas sim um chamado à atenção. Ela nos lembra que, mesmo após anos de pandemia, ainda estamos lidando com um vírus em constante transformação.
Mais do que números ou estatísticas, a Cicada reforça algumas lições essenciais:
- O vírus continua evoluindo: assim como qualquer organismo, ele muda para sobreviver. Novas variantes são parte natural desse processo.
- A imunidade não é absoluta: vacinas e infecções anteriores ajudam — e muito —, mas não eliminam completamente o risco de novas infecções.
- A ciência é nossa maior aliada: é por meio dela que identificamos variantes, desenvolvemos vacinas e entendemos como nos proteger.
- A vigilância precisa ser constante: acompanhar o comportamento do vírus é fundamental para evitar surpresas e agir com rapidez.
Em outras palavras, a Cicada nos ensina que conviver com o vírus exige consciência, responsabilidade coletiva e acesso à informação confiável.
Fontes:
www.g1.globo.com
www.gauchazh.clicrbs.com.br
www.cnnbrasil.com.br
Crédito das imagens:
(01) www.chatgpt.com/dall-e
(02) www.nature.com
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