Domingo é dia de sentir a palavra…
Dia de deixar que a poesia nos atravesse, silenciosa e intensa, como aquilo que não se explica — apenas se vive.
Hoje, o POEME-SE! convida você a mergulhar em uma voz que ousou dizer o indizível, romper silêncios e transformar sentimentos em coragem.
Nossa poetisa visitada é Forough Farrokhzad, nascida no Irã, em uma sociedade marcada por regras rígidas e poucas liberdades para as mulheres.
E foi justamente desse cenário de silêncios impostos que surgiu sua voz — firme, sensível e profundamente revolucionária.
Forough não apenas escreveu poemas… ela ousou existir além dos limites que tentaram lhe impor.
E o poema apresentado hoje é “Pequei!”, em tradução de Sholeh Wolpé.
Um poema que não se esconde atrás da culpa, mas revela a força de quem sente sem pedir permissão.
Em seus versos, ecoa a intensidade de quem vive sem máscaras.
Aqui, o “pecado” não é fraqueza — é entrega.
Não é erro — é experiência.
É a vida acontecendo sem censura.
Prepare-se…
Porque quando uma mulher rompe o silêncio,
sua voz não ecoa apenas nela.
Ressoa em todos nós!
Hoje, a poesia não vai apenas tocar você — vai atravessar.
POEME-SE!!!

Sobre a autora:

Forough Farrokhzad nasceu em 5 de janeiro de 1934, na cidade de Teerã, no Irã.
Criada em uma família de classe média, com um pai militar rigoroso, Forough cresceu em um ambiente tradicional — marcado por normas rígidas, especialmente para as mulheres.
Foi justamente desse contexto conservador que surgiu uma das vozes mais ousadas da literatura persa moderna.
Ela não apenas escreveu — ela rompeu limites.
Uma voz que desafiou seu tempo
Em uma sociedade onde a expressão feminina era controlada, Farrokhzad ousou falar sobre amor, desejo, solidão e liberdade sob o ponto de vista da mulher.
Sua poesia chocou, incomodou e encantou — porque dizia o que muitas sentiam, mas não podiam expressar.
Ela não escrevia para agradar…
Escrevia para ser verdadeira.
A poesia como libertação
Seu primeiro livro, Asir (“Cativa”), já revelava uma escrita íntima e confessional.
Mas sua obra foi evoluindo — tornando-se cada vez mais profunda, simbólica e universal.
Seus versos deixaram de ser apenas pessoais para tocar questões existenciais:
vida, morte, identidade, liberdade.
Vida marcada por rupturas
Forough casou-se ainda jovem, teve um filho e se divorciou — algo altamente condenável em sua cultura na época.
Como consequência, perdeu a guarda da criança, uma dor que a acompanhou por toda a vida.
Mas, em vez de silenciá-la, essas experiências alimentaram sua arte.
Ela transformou sofrimento em linguagem.
E ausência em poesia.
Arte além das palavras
Além da poesia, Farrokhzad também se destacou no cinema.
Seu documentário The House Is Black retrata a vida em uma colônia de leprosos e é considerado uma obra-prima do cinema iraniano.
Nele, vemos a mesma sensibilidade presente em seus poemas:
um olhar humano, profundo e sem julgamentos.
Uma vida breve, um legado eterno
Forough Farrokhzad morreu tragicamente em 1967, aos 32 anos, em um acidente de carro.
Sua vida foi curta — mas sua obra atravessou gerações.
Mesmo diante de censuras e barreiras culturais, seus poemas continuam vivos, inspirando leitores em todo o mundo.
Hoje, ela é símbolo de liberdade, coragem e expressão feminina.
Uma mulher que nasceu sob a égide do silêncio…
Mas escolheu viver em voz alta.
Fonte:
www.farrokhzadpoems.com
Crédito das imagens:
(01) www.commons.wikimedia.org (aprimorada e colorizada com o ChatGPT/DALL-e)
(02) www.freepik.com (moldura)
(03) www.commons.wikimedia.org
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