Domingo é dia de POEME-SE!
Hoje, abrimos as portas da sensibilidade para um encontro com o tempo — não o tempo que passa, mas o tempo que amadurece… e permanece.
A convidada deste domingo é a inesquecível Lya Luft, uma das vozes mais profundas e delicadas da literatura brasileira contemporânea. Gaúcha de alma intensa, Lya escreveu como quem mergulha na própria existência, transformando dores, perdas e descobertas em palavras que acolhem e inquietam ao mesmo tempo.
Sua escrita não grita — ela sussurra verdades. E é nesse sussurro que encontramos coragem para encarar a vida como ela é: imperfeita, bela, humana.
O poema de hoje, “Canção na Plenitude”, é um desses momentos raros em que a maturidade fala com doçura e firmeza. Nele, não há lamento pelo que se foi — há celebração do que se construiu. A juventude dá lugar à sabedoria, e o amor deixa de ser urgência para tornar-se presença.
Prepare o coração: o que vem a seguir não é apenas poesia.
É experiência vivida transformada em verso…
POEME-SE!!!

Sobre a autora:

Lya Fett Luft foi uma poetisa, romancista, e tradutora brasileira. Foi também professora universitária e colunista da revista semanal Veja.
Origens e infância
Lya Luft nasceu em 15 de setembro de 1938, na cidade de Santa Cruz do Sul, uma região fortemente influenciada pela imigração alemã. Cresceu em um ambiente culturalmente rico, cercada por livros e estímulos intelectuais.
Desde muito cedo, teve contato com a literatura europeia, chegando a recitar poemas de Johann Wolfgang von Goethe ainda na infância — um sinal precoce da sensibilidade que marcaria toda a sua trajetória.
Formação e vida acadêmica
Lya Luft construiu uma formação sólida e diversificada no campo das letras e da educação. Graduou-se em Pedagogia, em 1960, e em Letras Anglo-Germânicas, em 1962, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Prosseguindo em sua trajetória acadêmica, obteve o título de mestre em Linguística pela mesma instituição, em 1975.
Alguns anos depois, ampliou ainda mais seus horizontes intelectuais ao concluir um segundo mestrado, desta vez em Literatura Brasileira, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1978.
Entre 1970 e 1982, atuou como professora de Linguística na Faculdade Porto-Alegrense, contribuindo para a formação de diversos estudantes.
Apesar de sua consistente base acadêmica, Lya Luft reconhecia que não possuía grande inclinação para o chamado “pensamento científico” mais rigoroso.
Com o tempo, seu interesse voltou-se de maneira mais intensa para a literatura — espaço onde sua sensibilidade e profundidade encontraram plena expressão.
Tradutora de grandes autores
Paralelamente à docência, Lya Luft destacou-se como tradutora, aproximando o público brasileiro de importantes autores da literatura mundial.
Entre os nomes que verteu para o português estão Virginia Woolf e Hermann Hesse. Esse trabalho refinou ainda mais sua percepção estética e ampliou seu repertório literário.
Início na literatura
Sua estreia como escritora aconteceu na poesia, com a obra Canções de Limiar (1964).
A partir daí, sua produção se expandiu para romances, contos, crônicas e ensaios, revelando uma autora versátil e profundamente conectada às inquietações humanas.
Abaixo, algumas de suas principais obras:
Principais romances e ficção:
- As Parceiras (1980): Seu romance de estreia, que a consagrou. Narra a história de uma família sob a perspectiva feminina, explorando temas como o caos familiar, laços de sangue e a dor.
- O Quarto Fechado (1984): Um romance que aborda temas intensos como o luto e a perda, com uma narrativa familiar tensa.
- Exílio (1987): Uma história que mergulha em sentimentos como solidão, morte, amor e desencontros familiares.
- O Ponto Cego (1999): Um romance que trata de amor e mistério, explorando as vivências e sonhos de uma família contados sob o ponto de vista de uma criança.
- O Tigre na Sombra (2012): Vencedor do Prêmio Machado de Assis (ABL) como melhor ficção de 2012, foca em mistérios e difíceis relações familiares.
Ensaios, memórias e crônicas (Best-sellers):
- Perdas e Ganhos (2003): O maior sucesso de público de Lya. Uma reflexão sobre a vida, o envelhecimento, a morte e o amadurecimento, que permaneceu na lista de mais vendidos por mais de 100 semanas.
- O Rio do Meio (1996): Vencedor do prêmio de melhor obra do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), alterna reflexões sobre a vida, memórias e ensaios sobre a condição humana.
- A Casa Inventada (2017): Prosa poética que mistura romance e ensaio, tratando a casa como uma metáfora da existência e dos afetos.
- Múltipla Escolha (2010): Ensaio no qual Lya discute temas modernos como a velhice, a tecnologia, a violência e a juventude.
- As Coisas Humanas (2020): Uma de suas últimas obras, na qual reflete sobre o lado belo e difícil da existência, família e solidão.
Poemas:
- Canções de Limiar (1964): O marco inicial de sua carreira. Este livro de estreia já revelava a inclinação da autora para temas existenciais, explorando a transição entre o mundo interior e a realidade externa, com um tom delicado e introspectivo.
- Flauta Doce (1972): Publicado alguns anos após sua estreia, este volume consolida sua voz poética. A obra utiliza uma linguagem lírica para falar sobre a passagem do tempo, a natureza e os sentimentos mais sutis da alma humana.
- Mulher no Palco (1984): Nesta obra, Lya explora a identidade feminina e os papéis sociais e emocionais desempenhados pelas mulheres. É uma poesia que dialoga com a performance do “eu” diante do mundo e das próprias sombras.
- O Lado Fatal (1988): Escrito após a morte de seu marido, o linguista Celso Pedro Luft, é talvez seu livro de poemas mais visceral. Trata-se de uma meditação profunda e dolorosa sobre o luto, a perda e a finitude, sendo um divisor de águas em sua escrita.
- Secreta Mirada (1997): Uma obra híbrida que mistura prosa e poesia. Nela, Lya revisita temas como a memória e a solidão, utilizando o olhar (a “mirada”) como ferramenta para desvendar o que está escondido no cotidiano e nos afetos.
Lya ainda escreveu dois livros infanto-juvenis: Histórias de Bruxa Boa (2004) e A volta da Bruxa Boa (2007).
A Voz na imprensa
Durante cerca de duas décadas, Lya Luft foi colunista da revista Veja.
Em seus textos, refletia sobre o cotidiano, comportamento e os dilemas existenciais, estabelecendo uma conexão direta e íntima com seus leitores.
Estilo e temas
A escrita de Lya Luft é marcada pela introspecção e pela coragem de explorar questões profundas da condição humana.
Seus textos transitam por temas como envelhecimento, dor, identidade e sentido da vida, sempre com uma linguagem sensível e reflexiva.
Ao longo de sua carreira, publicou mais de 30 obras, muitas delas traduzidas para diversos idiomas.
O legado
Lya Luft despediu-se da vida em 30 de dezembro de 2021, em Porto Alegre, aos 83 anos. Sua partida encerrou uma presença física, mas de forma alguma silenciou sua voz — porque há escritores que não partem: permanecem.
Ao longo de décadas, Lya construiu uma obra que atravessa o tempo com a mesma delicadeza com que toca a alma. Seus textos não oferecem respostas prontas, mas provocam perguntas essenciais — sobre quem somos, o que sentimos, o que perdemos e, sobretudo, o que ainda podemos nos tornar.
Em um mundo apressado, sua escrita convida à pausa. Em meio ao ruído, ela sussurra. E nesse sussurro, encontramos ecos das nossas próprias inquietações.
Lya Luft ensinou, sem alarde, que a maturidade não é um fim, mas uma forma mais profunda de olhar a vida. Que as perdas também moldam quem somos. E que há beleza — sempre há — mesmo nas imperfeições da existência.
Seu legado permanece vivo em cada leitor que se permite sentir, refletir e transformar.
Porque algumas vozes não se vão…
Elas se tornam permanência.
Fontes:
www.pt.wikipedia.org
www.facebook.com/LyaLuftOficial
www.elfikurten.com.br
www.ebiografia.com
Crédito das imagens:
(01) www.online.pucrs.br
(02) www.freepik.com (Moldura do poema)
(03) www.commons.wikimedia.org
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