A expressão “Sétima Arte” é amplamente utilizada para se referir ao Cinema, mas poucos conhecem a história e as seis artes clássicas que o antecedem nessa famosa classificação.
Essa numeração não é aleatória; ela reflete um longo debate filosófico e estético sobre as formas de expressão humana que merecem o título de “Belas Artes”.
Conhecer a lista completa é mergulhar na história da cultura, entendendo como o ser humano usou o espaço, a forma, a cor, o som, a palavra e o movimento para criar beleza e significado.
A Origem da Classificação: Quem a Definiu?
Apesar de o conceito das “Belas Artes” remontar à Antiguidade Clássica e ter sido refinado por filósofos como Charles Batteux no século XVIII, a classificação específica que inclui o Cinema como a sétima arte não veio de um organismo mundial oficial, mas sim de um intelectual e teórico italiano radicado na França: Ricciotto Canudo.
Canudo publicou seu influente texto, o Manifesto das Sete Artes, em 1923. Sua tese principal era que o cinema, então uma invenção recente e muitas vezes vista apenas como entretenimento de massa, deveria ser reconhecido como uma forma de arte legítima e completa.
Ele via o Cinema como a “arte síntese”, aquela que conciliava as artes do espaço (Arquitetura, Escultura e Pintura) e as artes do tempo (Música, Poesia/Literatura e Dança). Ao unir o movimento e a imagem, o cinema se tornava a culminância de todas as formas de expressão artística anteriores.
Embora a ordem e até mesmo a composição da lista possam variar ligeiramente entre teóricos e críticos ao longo do tempo (alguns incluem o Teatro, outros não), a lista de Canudo é a que prevaleceu e se tornou o padrão aceito:
- Arquitetura
- Escultura
- Pintura
- Música
- Poesia (ou Literatura)
- Dança
- Cinema
A seguir, exploramos cada uma dessas seis expressões clássicas que pavimentaram o caminho para a Sétima Arte:
1ª Arte: Arquitetura — A Arte do Espaço

A Arquitetura é frequentemente considerada a primeira das artes, a mais fundamental. Sua matéria-prima é o espaço, e sua função é moldar o ambiente físico para atender às necessidades humanas, transcendendo a mera utilidade para alcançar a beleza estética.
Desde as cavernas pré-históricas até as catedrais góticas e os arranha-céus modernos, a arquitetura reflete a cultura, a tecnologia e os valores de uma sociedade. Ela é uma arte que se vive e se caminha, definindo a maneira como interagimos com o mundo ao nosso redor.
O arquiteto, portanto, não apenas projeta edifícios, mas também cenários de vida. A grandiosidade do coliseu, a elegância de um templo grego ou a complexidade de um museu contemporâneo são testemunhos da Arquitetura como arte.
2ª Arte: Escultura — A Arte da Forma e do Volume

A Escultura lida com a forma e o volume em três dimensões, utilizando materiais como pedra, argila, metal e madeira. Diferentemente da arquitetura, que cria um espaço habitável, a escultura ocupa esse espaço e se concentra na representação da figura humana, de objetos ou de formas abstratas.
O escultor trabalha o equilíbrio, a massa e a textura, convidando o observador a rodear a obra e experimentá-la de múltiplos ângulos. O mármore polido da “Vênus” de Milo e o bronze das estátuas gregas demonstram o poder da escultura de dar vida e permanência à matéria inanimada.
Ela é uma arte tátil, pois sentimos o peso e a presença do volume.
3ª Arte: Pintura — A Arte da Cor, da Luz e da Superfície

A Pintura é a arte bidimensional por excelência, tratando da cor, da luz, da sombra e da composição sobre uma superfície plana. É o domínio da imagem e da ilusão de profundidade.
A Pintura tem uma história vasta, desde as pinturas rupestres que narram caçadas até os afrescos renascentistas que celebram a fé e os movimentos modernos que exploram a abstração pura. Um pintor manipula pigmentos para evocar emoções, registrar a história ou capturar um momento efêmero de luz.
Ela nos permite ver o mundo não apenas como ele é, mas como o artista o interpreta, seja no realismo detalhado de um retrato ou na explosão emocional de uma tela expressionista.
4ª Arte: Música — A Arte do Som e do Tempo

A Música é a primeira das artes ligadas ao tempo. Sua matéria-prima é o som, organizado em ritmo, melodia e harmonia. Ela se desenvolve em uma sequência temporal, exigindo que o ouvinte a experimente momento a momento.
Por sua natureza abstrata, a música é considerada uma das formas de arte mais puras e capazes de evocar emoções profundas sem a necessidade de representação visual ou narrativa explícita. A estrutura complexa de uma sinfonia, o minimalismo hipnótico de uma peça eletrônica ou a paixão de um blues – todos são manifestações de uma linguagem universal que toca o nosso espírito.
A música cria paisagens sonoras que nos transportam para diferentes estados de espírito e épocas.
5ª Arte: Poesia (Literatura) — A Arte da Palavra

A Poesia, ou de forma mais ampla, a Literatura, tem na palavra seu elemento essencial. É a arte de construir narrativas, argumentos, imagens e sentimentos através da linguagem escrita ou falada.
A Literatura é o repositório da memória humana, das mitologias e da imaginação. Ela se manifesta em formas diversas: poesia, épicos, romances, peças de teatro, ensaios. Através da sintaxe, do vocabulário e do ritmo da prosa, o escritor constrói mundos inteiros na mente do leitor.
É a arte que mais diretamente lida com a substância da vida humana: a narrativa, permitindo-nos experimentar vidas e épocas que nunca poderíamos conhecer de outra forma.
6ª Arte: Dança — A Arte do Movimento

A Dança é a arte do movimento do corpo no espaço, geralmente acompanhado por música. É uma das formas de arte mais instintivas e primárias, ligada a rituais, celebrações e comunicação não-verbal desde os primórdios da humanidade.
O corpo humano se torna o meio, e o movimento, a linguagem. A dança expressa emoções, narra histórias ou simplesmente celebra o prazer da forma e do ritmo.
Do rigor clássico do balé à fluidez e espontaneidade da dança contemporânea, ou à força rítmica das danças folclóricas, a Dança transforma a energia e a emoção em uma coreografia visualmente rica e dinâmica.
7ª Arte: Cinema — A Arte Síntese

Finalmente, chegamos ao Cinema, a Sétima Arte. Como Ricciotto Canudo argumentou, ele é a arte síntese ou a arte audiovisual. Criado no final do século XIX, o cinema é único por ser, intrinsecamente, a união das outras seis:
- Ele utiliza a Arquitetura e a Escultura na criação de cenários e na composição de planos (arte do espaço e da forma).
- Ele depende da Pintura no uso da luz, da cor e da composição visual (arte da cor).
- Ele é inseparável da Música para criar atmosfera e ritmo (arte do som).
- Ele é fundamentalmente narrativo, baseado em Roteiros (Literatura), que são a Poesia da tela (arte da palavra).
- E ele capta e organiza o Movimento de atores e câmeras (arte da dança).
O Cinema adiciona a dimensão do audiovisual em movimento e a capacidade tecnológica de registrar e projetar a realidade ou a ficção, tornando-se a forma de arte mais complexa e imersiva já criada.
Filmes não apenas contam histórias, mas também constroem e projetam visões de mundo, tornando-se um poderoso veículo de cultura, crítica social e entretenimento global.
Por essa riqueza e capacidade de integração, o cinema conquistou seu lugar de destaque como a “Sétima Arte”, um testamento da evolução constante da criatividade humana.
Fonte: www.abra.com.br
Crédito das Imagens: www.freepik.com
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