A notícia de um caso de peste bubônica nos Estados Unidos, em agosto de 2025, reacendeu o alerta: doenças que marcaram a Idade Média — como a peste, a hanseníase e a cólera — ainda circulam pelo mundo.
Embora estejam sob controle, esses “velhos males” continuam a provocar surtos localizados globalmente, principalmente onde há pobreza, infraestrutura sanitária deficiente e acesso limitado à assistência médica.
Por Que é Difícil Erradicar Doenças
A erradicação completa de uma doença é um feito raro na história da saúde pública. Isso se deve, fundamentalmente, à natureza biológica dos agentes infecciosos.
Microrganismos como vírus, bactérias e fungos possuem uma capacidade inata de sobreviver, adaptar-se e multiplicar-se rapidamente, muitas vezes evoluindo para driblar as defesas do hospedeiro ou os tratamentos disponíveis.
Por essa razão, apesar dos avanços incríveis na medicina, a eliminação total de uma infecção do ecossistema é uma exceção e não a regra.
Peste Bubônica: O Fantasma Medieval
Causada pela bactéria Yersinia pestis e transmitida por pulgas de roedores, a peste bubônica foi a “peste negra” que matou milhões na Idade Média.
Hoje, é tratável com antibióticos, e sua incidência despencou: entre 2019 e 2022, apenas seis países registraram casos, segundo a OMS. O Congo lidera o ranking, seguido por Madagascar, China, Mongólia, Uganda e EUA.
No Brasil, não há casos desde 2005, mas regiões do Nordeste e da Serra Fluminense ainda são classificadas como áreas de risco natural.
Hanseníase : O Preconceito Ainda Vive
Conhecida antigamente como lepra, a hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e continua a afetar milhares de pessoas no Brasil.
Em 2024, o país foi o segundo no mundo em novos casos, com mais de 22 mil registros, atrás apenas da Índia.
A doença se manifesta por manchas na pele e perda de sensibilidade nas mãos e pés. O tratamento é gratuito pelo SUS, mas o diagnóstico ainda é tardio — o que facilita a transmissão e mantém o estigma social.
Cólera: A Ameaça da Água Contaminada
A cólera, causada pela bactéria Vibrio cholerae, continua sendo um desafio em locais com saneamento precário.
Entre janeiro e agosto de 2025, mais de 460 mil casos e 5,8 mil mortes foram registrados em 32 países, segundo a OMS.
No Brasil, não há casos originados no próprio país desde 2006, mas surtos podem ocorrer em situações de crise sanitária.
Como Se Proteger das Doenças Que o Tempo Não Apagou
Embora pareçam distantes, essas doenças antigas ainda encontram brechas para ressurgir quando a prevenção falha. A boa notícia é que pequenas atitudes cotidianas podem fazer toda a diferença na proteção individual e coletiva.
- Higiene é Essencial:
Lavar bem as mãos com água e sabão, especialmente antes das refeições e após usar o banheiro, reduz drasticamente o risco de infecções intestinais, como a cólera.
- Cuidados Com a Água e os Alimentos:
Sempre prefira água filtrada ou fervida e evite consumir alimentos de procedência duvidosa. Em locais onde o saneamento é precário, essa atenção é vital.
- Ambientes Limpos Afastam Vetores:
Manter quintais e depósitos sem lixo acumulado ou entulhos evita a presença de roedores e insetos que podem carregar bactérias causadoras de doenças como a peste bubônica.
- Vacinação e Tratamento:
Mesmo que não existam vacinas para todas essas enfermidades, é importante manter o calendário de imunização atualizado e procurar atendimento médico ao menor sinal de sintomas suspeitos. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento.
- Solidariedade e Conscientização:
A prevenção também passa pela empatia. Apoiar campanhas de saneamento, cobrar melhorias na infraestrutura pública e compartilhar informações corretas ajudam a proteger toda a comunidade.
Em pleno século XXI, a ciência já nos deu o conhecimento e as ferramentas para conter antigas ameaças. O que falta, muitas vezes, é colocar em prática o que já sabemos: cuidar da saúde é um ato de cidadania e de amor consigo mesmo e ao próximo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Crédito da imagem: www.commons.wikimedia.org
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