No silêncio fértil dos domingos, quando o tempo parece caminhar mais devagar, o POEME-SE! abre suas portas para aquilo que não cabe apenas na razão: a poesia.
Aqui, cada verso é mais que palavra — é memória, é identidade, é resistência e sentimento. É o encontro entre o que somos e o que ainda podemos ser.
Hoje, o Almanaque do Estudante convida você a ouvir uma voz que nasce da floresta, ecoa na cidade e atravessa o tempo com a força de um povo: a poesia viva de Márcia Wayna Kambeba.
Esqueça, por um instante, tudo o que você acha que sabe.
A palavra “índio”, tão repetida ao longo da história, carrega distorções, simplificações e silêncios. É justamente contra isso que a poesia de Márcia Wayna Kambeba se levanta — não como um sussurro, mas como uma afirmação firme de identidade.
Aqui, o verso não enfeita: ele corrige, confronta e devolve voz a quem nunca deixou de tê-la.
A poesia de Márcia Wayna Kambeba nasce desse lugar onde palavra e identidade caminham juntas. Seus versos não são apenas expressão: são presença, memória viva e afirmação de existência.
Ao lê-la, não estamos apenas diante de um poema, mas diante de uma verdade que pulsa — firme, consciente e impossível de ignorar.
Prepare-se: este não é apenas um poema. É um chamado à consciência.
Sinta, reflita e reconstrua seu olhar — POEME-SE!

Sobre a Autora:

Márcia Wayna Kambeba, nasceu em 1979, em uma aldeia tikuna na comunidade de Belém do Solimões, atualmente no município de Tabatinga (AM). O povo Tikuna é da etnia Omágua/Kambeba.
Sua infância foi profundamente marcada pela vivência na aldeia e pela influência de sua avó, professora e uma das primeiras responsáveis por despertar nela o amor pela palavra e pela poesia.
Desde cedo, aprendeu que a oralidade, os mitos e os saberes da floresta são formas legítimas de conhecimento — e isso se tornaria a base de sua escrita.
Formação e Trajetória Acadêmica
Márcia graduou-se em Geografia pela Universidade do Estado do Amazonas e posteriormente concluiu mestrado pela Universidade Federal do Amazonas, dedicando-se ao estudo do território e da identidade de seu povo.
Sua formação acadêmica não a afastou de suas raízes — ao contrário, fortaleceu sua missão: unir conhecimento científico e saber ancestral.
A Poesia Como Resistência
Como poeta, adotou o nome indígena “Wayna” e construiu uma obra poética profundamente ligada à luta dos povos originários.
Seus versos abordam temas como:
- identidade indígena
- resistência cultural
- violência histórica
- conflitos entre aldeia e cidade
Sua poesia, muitas vezes comparada à literatura de cordel, carrega ritmo, denúncia e pertencimento.
O poema “Índio Eu Não Sou!”, por exemplo, expressa uma recusa aos estereótipos impostos e afirma uma identidade viva, contemporânea e em constante transformação.
Arte, Ativismo e Voz Social
Além de poeta, Márcia é:
- professora
- escritora
- geógrafa
- palestrante
- compositora
- fotógrafa
- atriz
- roteirista
- e ativista pelos direitos indígenas
Sua atuação vai além da literatura: ela luta pela valorização da cultura indígena, pelos direitos das mulheres nas aldeias e pela preservação dos saberes tradicionais.
Em 2020, candidatou-se a vereadora em Belém pelo PSOL. Embora não tenha sido eleita, passou a integrar a gestão de Edmilson Rodrigues, do mesmo partido, que havia sido eleito prefeito de Belém no ano seguinte, como ouvidora-geral do município, função que exerceu de 2021 a2023, tornando-se a primeira indígena a ocupar um cargo de primeiro escalão na capital.
Para integrar o quadro de funcionários da Ouvidoria, à época, cujo total era de dez pessoas, Márcia colocou 05 de origem indígena.
Obras Publicadas
Márcia Wayna Kambeba possui 11 livros publicados. Sua obra é composta por livros que mesclam poesia, ensaios e saberes ancestrais, entre as quais, destacamos:
- Ay Kakyri Tama: Eu Moro na Cidade (2013): Obra que discute a identidade do indígena que vive no contexto urbano e a história do povo Omágua/Kambeba.
- Saberes da Floresta (2020): Reúne produções poéticas que conectam o conhecimento tradicional com práticas de ensino e visões de mundo.
- Kumiçã Gênó: Narrativas Poéticas dos Seres da Floresta (2021): Livro que traz elementos do folclore e da cosmologia indígena.
- O Lugar do Saber Ancestral (2021): Obra voltada para a preservação da memória e transmissão de conhecimentos.
- Infância na Aldeia (2023): Livro infantojuvenil que apresenta o cotidiano e as tradições das crianças indígenas.
- Curumim Wirá e os Encantados (2023): Livro que narra as dificuldades enfrentadas por um menino indígena com restrições cognitivas. Márcia tem um filho diagnosticado com o transtorno do espectro autista.
- De Almas e Águas Kunhãs (2024): Coletânea de ensaios e poemas focada no papel das mulheres indígenas, territorialidade e resistência.
- Flor de Mureru (2025): Obra poética que explora a beleza da flora amazônica e os segredos da floresta.
Seus livros são pontes entre mundos — conectam a floresta à cidade, o passado ao presente, a tradição à contemporaneidade.
Participações em Coletâneas
Além de seus títulos individuais, a autora integra importantes obras coletivas, como:
- Ato poético: Poemas pela democracia (2020): Manifestação literária com a participação de diversos escritores.
- As Meninas Maluquinhas (2021): Coletânea de contos infantis onde contribuiu com a história “A menina da matinta”.
- Nós… Mulheres do século passado: Nossas escritas, nossas histórias (2023): Antologia com relatos de 76 autoras sobre temas como identidade e resistência.
O Eco de Uma Identidade Viva
Que a poesia de Márcia Wayna Kambeba não termine na última linha, mas continue ecoando em cada leitor que se permite escutar com atenção. Seus versos nos lembram que identidade não se apaga, não se simplifica e não se explica por rótulos — ela se vive, se afirma e se respeita.
Ao fechar o POEME-SE! de hoje, que levemos conosco mais do que palavras: levemos consciência, sensibilidade e o compromisso de olhar o outro com mais verdade. Porque, quando a poesia cumpre seu papel, ela não apenas emociona — ela transforma.
Para comprar o livro de Márcia Wayna Kambeba, cuja poesia foi apresentada hoje no POEME-SE!, clique na logo abaixo:
Fontes:
www.pt.wikipedia.org
www.furg.br
Crédito das imagens:
(01, 03) Acervo Pessoal (Márcia Wayna Kambeba)
(02) www.freepik.com (Moldura da poesia)
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