Os dados mais recentes da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua (módulo Educação 2025), divulgados pelo IBGE, recentemente, trazem um marco histórico para o país, mas também acendem um alerta sobre abismos sociais estruturais que ainda persistem.
A educação brasileira alcançou um marco simbólico importante. Pela primeira vez desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2016, a taxa de analfabetismo no Brasil caiu para menos de 5%, fixando-se em 4,9%.
Embora o percentual aponte para uma tendência de queda constante nas últimas décadas, a leitura fria dos dados esconde uma realidade indigesta: o Brasil ainda abriga 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever sequer um bilhete simples.
Um país que avançou… mas ainda não cumpriu sua missão
A redução contínua do analfabetismo demonstra que as novas gerações tiveram muito mais acesso à escola do que seus pais e avós.
Ainda assim, o Brasil ficou distante da meta prevista pelo antigo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecia a erradicação do analfabetismo.
Agora, o Novo PNE renova esse desafio, estabelecendo metas para elevar a alfabetização da população a cerca de 97% e reduzir praticamente a zero o número de brasileiros incapazes de ler e escrever.
O problema é que, para alcançar esse objetivo, não basta olhar para a média nacional. É preciso enxergar onde o problema permanece concentrado.
O analfabetismo tem idade
Um dos dados mais reveladores da pesquisa mostra que o analfabetismo brasileiro está fortemente concentrado entre os idosos.
Das 8,4 milhões de pessoas analfabetas no país, 4,9 milhões possuem 60 anos ou mais, representando cerca de 58% do total.
Quando se observa apenas a população entre 15 e 59 anos, a taxa cai para apenas 2,6%, evidenciando que o acesso à alfabetização melhorou significativamente nas últimas décadas.
Esse retrato mostra que boa parte do analfabetismo atual é consequência de um Brasil que, no passado, simplesmente não conseguiu levar a escola para milhões de crianças.
Hoje, esse atraso histórico reaparece na terceira idade.
Por isso, investir em programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente voltados aos idosos, deixou de ser apenas uma política educacional. Tornou-se uma questão de dignidade.

As mulheres superaram uma desigualdade histórica
Outro dado chama atenção.
Pela primeira vez desde o início da série histórica, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas ficou ligeiramente inferior à dos homens.
Entre pessoas com 60 anos ou mais:
- Mulheres: 13,7%
- Homens: 14,1%
Na população com 15 anos ou mais, a diferença também aparece:
- Mulheres: 4,6%
- Homens: 5,2%
Os números revelam uma mudança importante na história da educação brasileira.
Durante décadas, muitas meninas tiveram acesso limitado aos estudos. Hoje, ocorre o movimento inverso: as mulheres apresentam, em média, maior escolaridade e menores índices de analfabetismo do que os homens.
Quando a cor da pele também reflete o passado da educação
Os dados também revelam profundas desigualdades entre grupos raciais.
Enquanto a taxa de analfabetismo entre pessoas brancas é de 2,8%, entre pessoas pretas e pardas ela alcança 6,5%.
Entre os idosos, essa diferença torna-se ainda mais expressiva.
- Idosos pretos ou pardos: 20,6%
- Idosos brancos: 7,3%
Esses números refletem décadas de acesso desigual à educação e às oportunidades de escolarização ao longo da história brasileira.
Embora o cenário venha melhorando nas gerações mais jovens, as marcas desse passado ainda permanecem visíveis entre milhões de brasileiros.
Nordeste: O epicentro da exclusão educacional
Talvez o dado mais preocupante da pesquisa seja a enorme desigualdade regional.
Mais da metade de todos os analfabetos brasileiros vive na Região Nordeste.
São 4,8 milhões de pessoas, concentrando aproximadamente 57% de todo o contingente nacional.
As taxas por região deixam evidente esse contraste:
| Região | Taxa de analfabetismo |
|---|---|
| Nordeste | 10,6% |
| Norte | 5,7% |
| Centro-Oeste | 3,3% |
| Sul | 2,4% |
| Sudeste | 2,3% |
O endereço onde uma pessoa nasce ainda influencia fortemente suas oportunidades educacionais.
Isso evidencia que políticas públicas universais são importantes, mas talvez não sejam suficientes. As regiões que acumulam os maiores déficits históricos precisam receber investimentos proporcionais ao tamanho de seus desafios.
Outro desafio: permanecer na escola
A PNAD também mostra que alfabetizar não basta.
É preciso impedir que os estudantes abandonem a escola.
A evasão cresce rapidamente a partir dos 16 anos, alcançando 18,5%, e chega ao pico aos 17 anos, quando cerca de 20% dos jovens deixam de estudar.
Entre aqueles que abandonaram os estudos, o principal motivo apontado foi a falta de interesse pela escola (25,6%).
Entre as mulheres, dois fatores aparecem com grande peso:
- Trabalho, para ajudar no sustento da família (26,2%);
- Gravidez precoce, na adolescência (24,7%).
Esses dados mostram que combater o analfabetismo passa também por tornar a escola mais atrativa, reduzir desigualdades sociais e oferecer condições para que os jovens consigam concluir a educação básica.
O Brasil precisa ensinar quem ainda ficou para trás…
Reduzir a taxa nacional para menos de 5% representa uma conquista importante.
Mas não significa que o problema tenha sido resolvido.
Enquanto milhões de brasileiros permanecerem excluídos do direito básico de ler, escrever e compreender o mundo ao seu redor, haverá trabalho a ser feito.
Erradicar o analfabetismo exigirá mais do que salas de aula abertas.
Será necessário, buscar idosos que nunca tiveram oportunidade de estudar, fortalecer a Educação de Jovens e Adultos, ampliar o acesso a creches para que mães possam voltar à escola, combater a evasão escolar e garantir que nenhuma criança repita, no século XXI, a história de exclusão vivida por tantas gerações.
A educação é o caminho para a liberdade
Saber ler não significa apenas juntar letras.
Significa compreender uma receita, interpretar uma notícia, entender um contrato, acompanhar uma consulta médica, conhecer seus direitos e tomar decisões com autonomia.
Quem aprende a ler amplia seus horizontes. Quem permanece analfabeto vê o mundo através das limitações impostas pela falta de oportunidades.
Por isso, combater o analfabetismo não é apenas cumprir uma meta estatística. É devolver dignidade, independência e esperança a milhões de brasileiros.
A lição que fica
E, para você, estudante que acompanha o Almanaque do Estudante, deixo esta reflexão:
Quantos destes 8,4 milhões de brasileiros gostariam de saber ler e escrever? Entender o mundo ao seu redor…
Você já sabe! Você já é um ser ALFABETIZADO!!!
Então… aproveite isso!!!
Estude com dedicação.
Valorize cada aula, cada aprendizado.
Leia mais. Busque sempre ampliar seus conhecimentos.
Porque a educação continua sendo o caminho mais seguro para transformar destinos.
Quem aprende a ler passa a enxergar o mundo. Quem decide continuar aprendendo, ajuda a transformá-lo.
Fontes:
www.agenciabrasil.ebc.com.br
www.g1.globo.com
www.cnnbrasil.com.br
Crédito das imagens:
(01, 02) www.chatgpt.com/dall-e
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