Existem sonhos que pertencem a uma pessoa. E existem sonhos que pertencem à humanidade inteira.
A paz é um deles.
Desde os tempos mais antigos, homens e mulheres sonham com um mundo onde diferenças possam ser resolvidas pela palavra, onde crianças não precisem conhecer o medo das guerras e onde povos diferentes possam construir juntos um futuro melhor.
Esse sonho ganhou uma data especial no calendário: 21 de setembro, Dia Internacional da Paz.
Criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data não pretende dizer que a paz deve existir somente naquele dia. Ao contrário: ela nos convida a renovar, todos os anos, o compromisso de construí-la em todos os outros dias.
Mas como nasceu essa celebração? Quem teve a ideia de criar um Dia Internacional da Paz e por que a ONU decidiu transformar esse sonho em um compromisso mundial?
Uma ideia que nasceu para aproximar os povos
A história começa em 1981.
Naquele ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 36/67, criando o Dia Internacional da Paz.
A proposta estava ligada à abertura anual da Assembleia Geral da ONU, que acontecia tradicionalmente em setembro. A intenção era dedicar esse momento a fortalecer os ideais de paz tanto dentro dos países quanto entre as nações e os povos.
A ideia de criar uma data internacional havia sido discutida em uma conferência universitária realizada em San José, na Costa Rica, em 1981. O encontro foi liderado pelo educador sul-coreano Young Seek Choue, então presidente da Kyung Hee University. A Costa Rica levou a proposta às Nações Unidas, onde ela foi acolhida pela Assembleia Geral.
Assim, a criação do Dia Internacional da Paz não foi obra de uma única pessoa. Foi resultado de uma iniciativa que passou por diferentes mãos até chegar à Assembleia Geral da ONU, que oficialmente estabeleceu a data.
Quando foi comemorado pela primeira vez?
Embora a decisão tenha sido tomada em 1981, a primeira celebração ocorreu em setembro de 1982.
No começo, porém, o Dia Internacional da Paz ainda não tinha uma data fixa.
Ele deveria acontecer na terceira terça-feira de setembro, coincidindo com a abertura da sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Isso mudaria alguns anos depois.
Por que 21 de setembro?
Em 7 de setembro de 2001, a Assembleia Geral da ONU aprovou por unanimidade a Resolução 55/282.
A partir de 2002, o Dia Internacional da Paz passou a ser celebrado definitivamente em 21 de setembro.
Mas a mudança não foi apenas uma questão de calendário.
A resolução determinou que a data deveria ser também um dia de cessar-fogo e não violência em escala mundial, convidando governos, organizações e pessoas a interromperem as hostilidades durante aquele período.
Ou seja: a ONU não queria que o Dia da Paz fosse apenas uma frase bonita escrita no calendário.
A proposta era que ele representasse uma pausa real na violência.
Paz não significa apenas ausência de guerra
Quando ouvimos a palavra paz, muitas vezes pensamos imediatamente em guerras entre países.
Mas a paz é muito maior do que isso.
Ela também está relacionada à capacidade de pessoas e grupos diferentes conviverem, conversarem, respeitarem seus direitos e procurarem soluções para seus conflitos sem recorrer à violência.
Por isso, a ONU relaciona a construção da paz a questões como educação, combate à pobreza, redução das desigualdades, respeito aos direitos humanos, justiça, inclusão e cooperação.
A paz começa quando conseguimos compreender que o outro, mesmo sendo diferente de nós, também possui dignidade e direitos.
E a paz começa onde?
Talvez seja justamente aqui que essa data se torne mais interessante para cada um de nós.
É fácil dizer:
“Precisamos de paz no mundo.”
Mais difícil é perguntar:
“O que estou fazendo pela paz ao meu redor?”
A resposta pode estar em atitudes aparentemente pequenas.
Evitar uma briga.
Não espalhar uma mentira.
Não praticar bullying.
Escutar alguém antes de julgá-lo.
Respeitar quem pensa diferente.
Pedir desculpas quando erramos.
Ajudar alguém que precisa.
Não transformar uma discussão em uma guerra.
São gestos simples. Mas a história da humanidade é construída também por pequenas escolhas repetidas milhões de vezes.
O sino que lembra o mundo de um sonho
Na sede das Nações Unidas, em Nova York, existe um símbolo muito especial: o Sino da Paz.
Ele foi doado pela Associação das Nações Unidas do Japão em 1954 e foi produzido com moedas doadas por representantes de mais de 60 países, além de contribuições de pessoas, incluindo crianças.
Todos os anos, o sino é tocado para marcar o Dia Internacional da Paz.
É difícil imaginar símbolo mais bonito.
Moedas de diferentes lugares do mundo foram reunidas para formar um único objeto.
Talvez exista aí uma pequena lição: aquilo que vem de muitos lugares pode se transformar em algo que pertence a todos.

Uma data para lembrar — e também para agir
A ONU destaca que a paz não é construída apenas em grandes reuniões internacionais.
Ela também depende das escolhas feitas diariamente por pessoas comuns.
Em sua página dedicada ao Dia Internacional da Paz, a organização lembra que cada pessoa pode contribuir, por exemplo, ajudando alguém, usando sua voz para promover mudanças positivas, participando de conversas construtivas e compartilhando histórias de paz e esperança.
Isso significa que ninguém é pequeno demais para fazer alguma coisa.
Um estudante pode fazer diferença.
Um professor pode fazer diferença.
Uma família pode fazer diferença.
Uma comunidade pode fazer diferença.
E uma atitude de respeito pode começar uma corrente que ninguém sabe até onde chegará.
A paz é uma construção diária
Talvez a humanidade nunca tenha tido tanta necessidade de lembrar que a paz não acontece por acaso.
Ela precisa ser construída.
Construída com diálogo quando seria mais fácil gritar.
Com compreensão quando seria mais fácil condenar.
Com educação quando a ignorância alimenta preconceitos.
Com justiça quando a desigualdade provoca revolta.
Com solidariedade quando alguém está sofrendo.
E com coragem para dizer não à violência.
O Dia Internacional da Paz, portanto, não é apenas uma comemoração.
É também um convite.
Um convite para que cada pessoa olhe para o mundo e pergunte o que pode fazer hoje para torná-lo um pouco melhor.

Fonte:
www.un.org
Crédito das imagens:
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(02) www.en.wikipedia.org
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